segunda-feira, 29 de março de 2010

Mãe reconhece luta de Cuba para salvar o filho preso da morte



Mãe reconhece luta de Cuba para salvar o filho preso da morte

Veja reportagem do noticiário nacional de televisão cubano que revela detalhes do atendimento médico a Orlando Zapata Tamayo, morto em 23 de fevereiro depois de prolongado jejum voluntário em uma prisão da Ilha. No vídeo, a mãe de Zapata, Reina Tamayo, reconhece o tratamento qualificado e dedicação da equipe médica que cuidava do filho. Por outro lado, conversas telefônicas de contrarrevolucionários revelam a torcida pela morte de Zapata e nenhuma preocupação em salvar sua vida.

Orlando Zapata Tamayo começou sua greve de fome cerca de 80 dias antes de sua morte. O jejum iniciou por uma cozinha, um telefone e uma televisão em sua cela. A decisão também foi orientada por forças políticas contrárias ao socialismo em Cuba. Não existem imagens expressando preocupação por parte dos contrarrevolucionários com o perigo de morte que o colega corria.

A mídia tem dado ampla cobertura a todos eventos de campanha contra o socialismo em Cuba, inclusive as manifestações de oposição ao governo do presidente Raúl Castro de que participa a mãe de Zapata. Porém, as declarações públicas de Reina Tamayo sobre a luta dos médicos cubanos para salvar a vida de seu filho permanecem ocultas nos grandes veículos mídiáticos.

“No mar das Antilhas, a Ilha aparece forte e bonita, com uma história de respeito aos seres humanos de seu país e do mundo. Não aceita chantagens, nem mentiras. Sempre amando, porém, com o punho erguido para defender a verdade e a vida”, conclui a reportagem do Cubadebate.

Fonte: Cubadebate, texto e legendas para o português brasileiro da TV Vermelho.
Vídeo original: em espanhol
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quarta-feira, 24 de março de 2010

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Jinkings: Um Amigo dos Livros e um Livro Perdido


De: joao carlos
Assunto: Re: amigo dos livros
Para: "Isa Jinkings"
Data: Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2010, 23:03


Querida D. Isa,
penso que, na vida, logo depois do amor, o sentimento que mais nos aproxima de Deus é a gratidão.
Sou - e todos os amigos da Livraria Jinkings  deveriam ser - imensamente agradecido(s) ao saudoso sr. Jinkings e a vocês, sua família.
Se pude ter livros é porque vocês me permitiram comprá-los, numa época de pouco dinheiro. Meu primeiro livro, comprado com a pequena mesada que recebia, saiu do balcão que havia na garagem de sua casa. Me lembro do "seu" (do nosso) Jinkings, sempre atarefado, sempre preocupado em dar atenção a todos. Recordo, como se fosse hoje, de uma conversa que papai teve com ele. Eu era menino e escutei isto:

- Jinkings, a coisa não está boa em São Paulo.
- Joel, onde faltam direitos humanos, nunca a coisa pode estar boa.

Essas frases ficaram na minha memória, porque foi a primeira vez que ouvi a expressão "direitos humanos". Isso aconteceu por volta de 1968.
A simples, mas muito verdadeira, homenagem que prestei a este grande humanista teve o propósito de despertar consciências. Gostaria (e vou dizir isto a ele) que o  Arnaldo Jordy apresentasse um projeto de lei, para a criação de uma estátua de bronze, em tamanho natural, a ser instalada ao lado da de Ruy Barata, no Parque. É o mínimo que se pode fazer pela memória de Raimundo Jinkings. 
Se pude, nesta vida, trabalhar pela cultura de nossa terra, muito devo aos livros que li e que foram comprados (em suaves prestações) na Livraria Jinkings.
Receba, Dona Isa, e peço que transmita ao Álvaro, ao Toninho, à Leila e a todos que estavam à frente da Livraria (como esquecer do Ronaldo e da Cleo?) o meu carinho e a minha imensa gratidão.
Com muito afeto
João Carlos
 ----- Original Message -----
From: Isa Jinkings
Sent: Wednesday, February 24, 2010 8:41 PM
Subject: amigo dos livros

Meu querido João Carlos,
Li com emoção tua linda crônica de segunda-feira.
Te vimos crescer e acompanhamos teu desenvolvimento intelectual, as vitórias que vens acumulando, tua inegável simplicidade.
A amizade e o respeito que nutríamos por teu pai são os mesmos que te dedicamos.
E saber que pessoas como tu cultuam a memória de nosso Jinkings nos conforta muito.
Obrigada, em nome da família, e um grande abraço da amiga
Isa Jinkings. 

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

LULA - O Filho do Brasil - Trailer

Lula, o Filho do Brasil
A história de um homem comum, sua família e a extraordinária capacidade de superar dificuldades.
Com direção de Fábio Barreto (O Quatrilho), e baseado no livro homônimo de Denise Paraná, Lula, o Filho do Brasil traz para as telas o percurso de Luiz Inácio Lula da Silva, do seu nascimento, em 1945, até 1980, quando era um líder sindical consagrado. A data marca também a morte de uma pessoa extremamente influente em sua vida e em sua forma de pensar: Dona Lindu (Eurídice Ferreira de Mello), que criou oito filhos, sozinha, e tinha como lema "Nesta família ninguém vai ser ladrão ou prostituta". E cumpriu.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

A arte de Kseniya




A artista ucraniana Kseniya Simonova usa uma caixa de luz, imaginação e muita criatividade na produção de animações em areia. Emociona ao dramatizar a invasão e ocupação da Ucrânia pela Alemanha, na segunda Guerra Mundial.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Trailer Cidadão Boilesen





Trailer do importante documentário de Chaim Litewski sobre o dinamarquês Henning Albert Boilesen, empresário justiçado pelo movimento da esquerda armada em 1971.

Eis que os arquivos começam a emergir. A História precisa ser restaurada e a nossa memória resgatada.



Recebemos de Nanda:

Em editorial na edição de 24 de dezembro de 2009, o Jornal do Brasil comenta o filme Cidadão Boilesen, chamando a atenção para a coincidência de seu lançamento, com o momento em que o governo federal detalha suas propostas do Programa Nacional de Direitos Humanos e a criação da Comissão Nacional da Verdade, que analisaria as violações ocorridas durante a ditadura civil-militar de 1964.

No editorial o JB também colhe depoimento do dirigente da ALN, Carlos Eugênio Paz, líder na ação que fuzilou o industrial dinamarquês Henning Albert Boilesen, em 15 de abril de 1971. No depoimento, Carlos Eugênio Paz afirma, que faria tudo de novo, se as circunstâncias fossem as mesmas.

Atualmente filiado ao PSB e colaborador do MST, Paz sustenta, que a Aliança Libertadora Nacional (ALN), não tinha dúvidas do envolvimento do empresário com as mortes de companheiros de luta nos porões da ditadura assim como do hábito que ele tinha de participar pessoalmente das sessões de tortura, na sede do DOI-Codi de São Paulo. “Na guerra a gente usa as armas da guerra, na paz as armas da paz. Ele estava do outro lado e fez a opção dele. Não era um inocente. Não há do que se arrepender” diz Carlos Eugênio Paz.



terça-feira, 10 de novembro de 2009

FALTA O RECONHECIMENTO

As postagens abaixo são do Blog do Barata, jornalista paraense. A homenagem comoveu a família. Obrigado ao jornalista. O Governo do Pará
não rendeu homenagem a Raimundo Jinkings, cujas algumas lembranças da contribuição inestimável de Jinkings, foram postadas pelo jornalista.
O jornalista e livreiro Raimundo Jinkings dedicou sua vida ao Pará e à luta por um mundo mais justo. Como lembra Barata, Raimundo Jinkings e Neyro Rodarte foram pioneiros nas Feiras de Livros, sempre com o esforço de levar a boa literatura ao maior número de leitores possível. Uma citação que costumava colocar em um cartazinho nas feiras diz muito:

"O Livro não muda o Mundo/ O Livro muda as Pessoas/ Quem muda o Mundo são as Pessoas"

domingo, 8 de novembro de 2009
LITERATURA - Polícia na feira

Como encontraram vagões de trem, deixados pelo 1º Comando Aéreo Regional, que acabara de realizar uma exposição na praça da República e ainda não removera-os, alguns livreiros decidiram também utilizá-los para abrigar seus livros. Com tudo pronto, alguns (poucos) livreiros aproveitaram para incluir, no vasto elenco de livros expostos, alguns títulos que estavam censurados e com a venda proibida. Foi a senha para o dedo-duro que inviabilizou a feira, ao denunciar e venda de livros proibidos.

A denúncia foi feita ao comandante do 1º Comar, que acionou à Polícia Federal. Esta empastelou a feira, apreendeu livros e esfarinhou os planos de Raimundo Antônio Jinkings e Neiro Rodarte. O dedo-duro teria sido um modesto livreiro, com representações de editoras sem grande expressão e por isso incomodado com aqueles que dispunham de catálogos mais alentados. No caso, a miséria humana, na forma da inveja e do arrivismo, serviu de combustível para fazer recrudescer a intolerância.

Postado por Augusto Barata às 03:07

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domingo, 8 de novembro de 2009


LITERATURA - Tempos sombrios

Tempos sombrios eram também aqueles, de 1981. Naquela altura, a linha-dura do regime militar fustigava o governo do general-presidente João Figueiredo, resistindo à abertura política e ameaçando, com seus atos terroristas e manifestações de intolerâncias, a redemocratização do país. Aqui, o governo Alacid Nunes, cujo secretário de Cultura era um comerciante que em suas origens havia sido representante de laboratório, mostrava-se um terreno infértil para a idéia de dar apoio oficial a feiras do livro.

Foi sob esse cenário que um grupo de livreiros, à frente Raimundo Antônio Jinkings e Neiro Rodarte, decidiu realizar a primeira Feira do Livro de Belém, que acabaria empastelada pela Polícia Federal, então a serviço da repressão da ditadura militar. Feita sem nenhum apoio oficial e montada em plena praça da República, a feira seria realizada em um fim de semana, utilizando barracas de campanha ironicamente cedidas pelo Exército. Essa inusitada parceria com o Exército talvez encontre explicação na participação de Neiro Rodarte, politicamente um liberal, no melhor sentido do termo, que seduz pela elegância, com uma urbanidade incomum por esses agrestes trópicos.
Postado por Augusto Barata às 03:08
2 comentários:
Anônimo disse...
Eu lembro dessa iniciativa lá na Praça da República, e também do Neyro e do Jinks tentando implantar aqui em Belém uma feira semelhante a que já havia em São Paulo e Rio de Janeiro. é verdade Barata, não podemos esquecer de como tudo começou.
8 de Novembro de 2009 21:52

Anônimo disse...
OS QUE DESBRAVARAM A FEIRA, INICIARAM UM PROCESSO HISTORICO IMPORTANTE.IMAGINE QUE NAO TINHAM APOIO NENHUM, NEM LUGAR ADEQUADO! E OLHA SÓ, ISSO MOSTRA QUE VONTADE PODE TUDO.ELES FORAM CORAJOSOS.UM BOM COMEÇO AQUELE...MAIS QUE MERECIDO UMA HOMENAGEM.HOJE, A FEIRA TEM INTROMISSÕES POLITICAS DISVIRTUADAS, MAS PELO MENOS CONTINUA.OS PREÇOS É QUE NAO SAO DE FEIRA


LITERATURA - Os perigos do saber

Com os direitos políticos cassados e singrando a atividade de livreiro, após ter sido obrigado a ser feirante para sustentar a família, Jinkings, até o golpe de 1964 um bancário do Banco da Amazônia (do qual foi demitido pela ditadura militar e a ele reintegrado com a anistia, em 1989), deixava a sala de visita de sua casa na rua dos Mundurucus, onde funcionava então, precariamente, aquela que viria a ser a livraria Jinkinks, para se expor publicamente. Sim, porque particularmente no seu caso, vender o saber, uma mercadoria vista sempre com suspeita pelo regime dos generais, implicava riscos imprevisíveis.

Juntamente com ele, participava da empreitada o advogado e jornalista João Marques, o combativo presidente do Sindicato dos Jornalistas do Pará, em uma época em que não havia espaço para posturas dúbias. O dualismo da época, se pensarmos bem, compele ao reconhecimento da dignidade de João Marques, cujas eventuais contradições políticas não obscurecem o mérito de ter tido a coragem se manter sempre, como presidente do sindicato da categoria, à disposição de todo e qualquer jornalista molestado por qualquer tipo de violência e/ou constrangimento. Um triste contraponto ao (patético) presente, vamos combinar!
Postado por Augusto Barata às 03:10

1 comentários:
Anônimo disse...

Com certeza Barata, e a homenagem vai para o filhos,em especial para uma que é juíza e a outra delegada, todas muito competentes e estudiosas, tudo o que um pai espera de seus filhos.


domingo, 8 de novembro de 2009
LITERATURA - Os pioneiros das feiras

As novas gerações de leitores não têm obrigação de saber, pois são parcos os registros a respeito. Por isso convém revelar-lhes os primórdios desse suntuoso evento no qual se transformou a Feira Pan-Amazônica do Livro. E conhecer os personagens da saga que foi realizar as primeiras feiras do livro em Belém.

Em pleno auge da ditadura militar, no início dos anos 70 do século XX, os chamados anos de chumbo, quando - subvertendo o princípio jurídico da inocência presumida - qualquer suspeito era culpado até prova em contrário, Raimundo Antônio Jinkings, livreiro e lendário comunista de Belém, aproveitava o vazio do Grande Hotel, já à espera da demolição para a construção do modernoso Hilton, para realizar, no cômodo térreo localizado na esquina da rua Carlos Gomes, uma incipiente feira, com os livros vendidos a preços populares e dispostos desordenadamente.
Postado por Augusto Barata às 03:13

5 comentários:

Anônimo disse...
Barata, voce quis dizer horroroso hilton...
8 de Novembro de 2009 06:13

Anônimo disse...
so pra aprovritar a deixa(esses é antiga), em icoaraci dois casaroes belos foram postos a baixo pra abrigar uma loja de departa,ento visao e um banco.Os crimes contra nosso patrimonio continum.tudo em silencio
8 de Novembro de 2009 06:15

Anônimo disse...
Barata, com certeza o seu arquivo é poderoso. Só você mesmo para lembrar desses dois pioneiros de feira do livro. Valeu pela sua "memória" e pelo registro.
8 de Novembro de 2009 14:55

Anônimo disse...
Os livros do Jinkings eram realmente muuuuuito mais barato que os preços hoje da Feira, um hooooorrror.
8 de Novembro de 2009 20:01




Mas é oportuno lembrar, como reconhecimento aos pioneiros de um passado sequer remoto, aquelas feiras que lhe foram precursoras, inclusive quando desafiavam o status quo consagrado pela ditadura militar, para que os jovens de agora não desconheçam a importância da oportunidade que lhes é oferecida. Tanto quanto é oportuno reconhecer aqueles que contribuíram em viabilizar as primeiras feiras do livro realizadas com apoio oficial, das quais participavam – ontem como hoje - nomes de expressão nacional da literatura brasileira.

E os nomes desses pioneiros não são tantos, assim, que custe lembrar. Os pioneiros em investir na realização das feiras foram Raimundo Antônio Jinkings (na foto, de pé, à esq., com Ziraldo, sentado, à dir.) e Neiro Rodarte, livreiros que marcaram época em Belém. Jinkings é morto e Neiro abandonou o ramo. Os governos estaduais tornaram-se sensíveis à pregação deles a partir da redemocratização, cujo marco é a eleição direta de Jader Barbalho, do PMDB, como governador, em 1982. A partir daí sucederam-se as feiras dos livros, nem sempre com a regularidade desejada, por conta do vaivém da gangorra do poder.

Postado por Augusto Barata às 03:16

2 comentários:

Anônimo disse...
Gostei, Barata, bem lembrado.
8 de Novembro de 2009 08:05

Conceição disse...
E o Jinkings morreu e os governos nunca fizeram uma homenagem a ele. Êta gente insensível. Homenageiam um monte de fdp e quem merece tá ái esquecido.
9 de Novembro de 2009 23:37

domingo, 8 de novembro de 2009

LITERATURA – A história das feiras em Belém

Em um país onde é lugar-comum se afirmar que o povo não tem memória, não seria fora de propósito supor que do mesmo mal padecem os seus sábios e sabidos.

A pertinente observação, feita pela jornalista Dora Karmer ao comentar os lapsos de memória determinados pelas conveniências dos poderosos de plantão, vem a propósito da recalcitrância dos organizadores da Feira Pan-Amazônica do Livro em reverenciar aqueles que figuram na gênese do evento. A realização da feira, que a propaganda oficial apresenta como a quarta maior do Brasil, merece elogios, naturalmente, e deve ser motivo de orgulho para todos nós, paraenses.

Postado por Augusto Barata às 03:21

domingo, 8 de novembro de 2009

LITERATURA – Memória, uma lacuna a preencher

Sob o signo do governo petista de Ana Júlia Carepa, a Feira Pan-Amazônica do Livro fica devendo uma homenagem aos pioneiros de eventos do gênero no Pará. A exemplo do que ocorreu durante os 12 anos de sucessivos governos do PSDB no Pará, entre 1995 e 2006.

Por isso, reproduzo nas postagens subseqüentes, com as atualizações devidas, uma tentativa de resgate da história de feiras do livro no Pará, datada de 2005 e que remete aos tempos da ditadura militar.

Postado por Augusto Barata às 03:22

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