segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Caravana da Anistia

 92ª Caravana da Anistia, realizada pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça em Belém do Pará, em parceria com a Comissão Estadual da Verdade, Comissão de Direitos Humanos da OAB-PA e Comissão de Direitos Humanos da Alepa, apoiadas pelo Governo do Estado e UFPA



Na 92ª Caravana da Anistia, Raimundo Jinkings recebeu as homenagens viabilizadas pela Comissão da Anistia, juntamente com outros companheiros da luta de resistência à Ditadura. Foi representado por Isa Jinkings, a companheira de vida. 

Além de Jinkings, também foram representados por seus familiares, Paulo César Fonteles de Lima, João Carlos Batista, Benedito Monteiro, Carlos Sampaio, Rui Paranatinga Barata, Gabriel Pimenta, Cleo Bernardo, Itair Silva, Egydio Salles, Levi Hall de Moura, Roberto Martins, João Marques, Iza Cunha, Humberto Cunha, Cesar Moraes Leite, Raimundo Ferreira Lima, João Canuto de Oliveira, Isaac Soares, Cacica Terriwere Suruí, Virgílio Serrão Sacramento, Jocelyn Brasil, Sá Pereira, Ronaldo Barata, Heraldo Maués, Roberto Cortez, Mariano Klautau, Amado Tupiassu, Elias Pinto, Edson Luís, Antônio Jorge Abelém, Henrique Santiago, Newton Miranda, João Batista Filgueiras Marques, Irmã Doroty Stang e Edilson Araújo receberam as honrarias, assim como os professores e advogados José Helder Benatti, Girolamo Treccani, Egydio Sales Filho, Jorge Farias, João de Jesus Paes Loureiro, Marcelo Freitas, Hecilda Veiga, José Carlos Castro, Pedro Galvão, Aurélio do Carmo e Paulo Roberto Ferreira.



A comissão é composta por Renato Theophilo Marques de Nazareth Netto (da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos - Sejudh), João Lúcio Mazinni da Costa (Arquivo Público Estadual), Ana Michelli Gonçalves Siares Zagalo (Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social - Segup), Carlos Alberto Barros Bordalo (Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa), Egídio Machado Sales Filho (Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Pará), Marco Apolo Santana Leão (Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos), Paulo Cesar Fonteles de Lima Filho (Comitê Paraense pela Verdade, Memória e Justiça), Jureuda Duarte Guerra (Conselho Regional de Psicologia –PA/AP) e Maria Franssinete de Souza Florenzano (Sindicato dos Jornalistas do Pará - Sinjor). 

As Caravanas da Anistia consistemna realização de sessões públicas itinerantes de apreciação de requerimentos de anistia política acompanhadas por atividades educativas e culturais, promovidas pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. A Comissão é o órgão do Estado brasileiro responsável por reconhecer oficialmente o cometimento de atos de exceção,na plena abrangência do termo, contra brasileiros e estrangeiros,materializados em perseguições políticas e que ensejam o direito constitucionalmente assegurado à reparação. 
 
Trata-se de uma política pública de educação em direitos humanos,com o objetivo de resgatar, preservar e divulgar a memória política brasileira, em especial do período relativo à repressão ditatorial, estimulando e difundindo o debate junto à sociedade civil em torno dos temas da anistia política, da democracia e da justiça de transição.






 

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Comissão da Verdade do Pará - depoimentos

A Comissão da Verdade do Pará vem desenvolvendo um trabalho respeitável.

Abaixo, os depoimentos de Isa Jinkings e de Hecilda Veiga, para a Comissão do Pará, no Seminário "As mulheres e a resistencia à ditadura no Pará"

Depoimento de Isa Jinkings na Comissão da Verdade do Pará


Depoimento de Hecilda Veiga na Comissão da Verdade do Pará

Também deram depoimento Aurilea Abelem, Dulce Rosa, Leila Jinkings  e outras Mulheres.


 
A comissão é composta por Renato Theophilo Marques de Nazareth Netto (da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos - Sejudh), João Lúcio Mazinni da Costa (Arquivo Público Estadual), Ana Michelli Gonçalves Siares Zagalo (Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social - Segup), Carlos Alberto Barros Bordalo (Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa), Egídio Machado Sales Filho (Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Pará), Marco Apolo Santana Leão (Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos), Paulo Cesar Fonteles de Lima Filho (Comitê Paraense pela Verdade, Memória e Justiça), Jureuda Duarte Guerra (Conselho Regional de Psicologia –PA/AP) e Maria Franssinete de Souza Florenzano (Sindicato dos Jornalistas do Pará - Sinjor).

  

Raimundo e Isa Jinkings, entre os livros e a resistência!

por Lígia Berna

 
A Assembleia Legislativa do Pará realizou mais uma oitiva da Comissão da Verdade do Pará, iniciando o seminário, "As mulheres e a resistência à ditadura no Pará", que estuda a violência contra mulher, com o Grupo de Trabalho - Gênero e Ditadura da Comissão Nacional da Verdade. Na tarde de ontem (26/02), a Comissão ouviu Maria Isa e Leila Jinkings, viúva e filha, respectivamente, do livreiro, presidente do Partido Comunista Brasileiro (PCB) no Pará e presidente da Central Geral dos Trabalhadores (CGT), Raimundo Jinkings, perseguido pelo Comando de Caça aos Comunistas na época da Ditadura Militar no Pará.
Durante a audiência foram relatados aos membros da Comissão, entre eles, a presidenta do Conselho Regional de Psicologia 10ª Região do Pará e Amapá, Jureuda Guerra, uma série de experiências vividas pela família Jinkings entre os anos de 1964 a 1985, entre os estados do Maranhão e Pará.
Raimundo Jinkings entrou para o Partido Comunista em São Luís. Na época, o livreiro era servidor público do Banco da Amazônia (Basa) e foi transferido para a capital do Maranhão, por ter escrito um artigo denunciando corrupção na gestão do então presidente do Basa, Gabriel Hermes. Em Belém, a polícia o prendeu diversas vezes por supostamente ter livros subversivos. “Eles levavam livros vermelhos, o livro “A Reunião” do Carlos Drummond de Andrade, que era de poesia, mas eles achavam que era comunista. Até livros sobre cubismo, a arte, eles acreditavam que eram de Cuba”, contou Leila Jinkings, filha do livreiro.
A livraria e a própria casa da família Jinkings, em novembro de 1979, foram atacadas com tiros, pedradas e até o carro de um dos filhos de Jinkings chegou a ser incendiado pelo Comando de Caça aos Comunistas, de acordo com o relato de Maria Isa Jinkings.
Maria Isa Jinkings, esposa de Raimundo Jinkings recorda que quando o Golpe Militar ocorreu, ele se escondeu na casa de um parente da família dela. “Ele ficou na casa de uma irmã minha por um tempo, mas depois foi para casa de um estivador chamado Miguel. O seu Miguel tinha 9 filhos e nenhum deles contou que Jinkings estava escondido lá. Ele só saiu de lá, porque precisou responder um processo no Basa por abandono de emprego. Meu irmão foi de madrugada buscar ele na casa do estivador. Ele chegou ir até minha casa para se despedir das crianças e de  mim. No outro dia, quando ele bateu ponto no Basa, deram voz de prisão para ele. E foi assim que ele foi para a 5ª Companhia de Guarda do Exército, que hoje é a Casa das Onze Janelas”, explicou Maria Isa, viúva de Jinkings.
Maria Isa mandava bilhete na tampa da garrafa térmica para o Jinkings e com isso eles tiveram uma correspondência particular. Ela recorda também que tinha que levar os filhos quando ia visitar Jinkings na 5ª Companhia de Guarda do Exército. “Enquanto meus filhos brincavam nos canhões do Forte do Presépio, eu sentava em um banco e lia a carta de Jinkinngs e chorava”, emociona-se.
Raimundo Antônio da Costa Jinkings nasceu em 05 de setembro de 1927, no município de Santa Helena, no Maranhão. E morreu no dia 25 de outubro de 1995. Ele teve cinco filhos com Maria Isa.
A Comissão da Verdade do Pará criada pela Lei Estadual 7.802 de 31 de março pretende escrever um relatório  para apurar graves violações de Direitos Humanos ocorridas durante a Ditadura Militar no Pará.
Lígia Bernar é Jornalista.
Fonte: http://crp10.org.br/noticia/comissao_da_verdade_do_para_as_mulheres_e_a_resistencia_a_ditadura_no_para
http://paulofontelesfilho.blogspot.com/2015/02/ligia-bernar-raimundo-e-isa-jinkings.html
Arte: Angelina Anjos baseado no http://raimundojinkings.blogspot.com.br/p/galeria.html

domingo, 10 de maio de 2015

Dia das Mães em 64




(...)E mais do que tudo isso, sabes que continuo tranqüilo, aguardando serenamente o pronunciamento da justiça do meu País. A vida é isso mesmo. A história não segue uma linha reta. Ela é feita de avanços e recuos. A minha profunda fé nos destinos da Pátria conduziu-nos a essa separação momentânea. Nunca aceitei a tese de que tudo no Brasil estava perdido. Que a época era do salve-se quem puder. Quis dar a minha contribuição. Não fiquei indiferente às grandes lutas do povo. Não poderei, portanto, por um simples incidente na vida, descrer do futuro glorioso de minha Pátria. Reexamino todas as minhas posições e não encontro razões ponderáveis para renegá-las. Continuo o mesmo homem, com o mesmo sentimento patriótico. Sei que outro não é o teu pensamento, pois os teus princípios cristãos, que sempre respeitei e admirei, são bem diferentes dos "daquela gente que nos olha de cima para baixo, vai à missa ou se ajoelha nos templos, veste a opa nas procissões ou beija as mãos dos Ministros do Senhor, brilha nas devoções ou priva com o clero. Pessoas que enchem de fel a vida do próximo, acusam de iniqüidades os pequenos, e espremem até o sangue o coração dos seus semelhantes,” Esse tipo de cristãos que Ruy Barbosa brilhantemente retratou é o que, infelizmente, ainda atua no Brasil de forma cínica e descarada. Os jornais diariamente refletem o caráter desse tipo de gente. (trecho de carta de Jinkings no dia das mães para Isa, enviada da prisão)

Eis a íntegra:

Isa, minha querida,

Somente eu posso avaliar, em todas as proporções, o teu desejo, o teu empenho e, sobretudo, a tua grande preocupação em saber as minhas primeiras notícias. Sei que muito andaste. Creio que imploraste desesperadamente. Mas o teu esforço, a tua dedicação de esposa e mãe carinhosa e a tua sempre solidariedade humana foram recompensados. Sabes onde estou. Sabes que estou vivo. E mais do que tudo isso, sabes que continuo tranqüilo, aguardando serenamente o pronunciamento da justiça do meu País. A vida é isso mesmo. A história não segue uma linha reta. Ela é feita de avanços e recuos. A minha profunda fé nos destinos da Pátria conduziu-nos a essa separação momentânea. Nunca aceitei a tese de que tudo no Brasil estava perdido. Que a época era do salve-se quem puder. Quis dar a minha contribuição. Não fiquei indiferente às grandes lutas do povo. Não poderei, portanto, por um simples incidente na vida, descrer do futuro glorioso de minha Pátria. Reexamino todas as minhas posições e não encontro razões ponderáveis para renegá-las. Continuo o mesmo homem, com o mesmo sentimento patriótico. Sei que outro não é o teu pensamento, pois os teus princípios cristãos, que sempre respeitei e admirei, são bem diferentes dos "daquela gente que nos olha de cima para baixo, vai à missa ou se ajoelha nos templos, veste a opa nas procissões ou beija as mãos dos Ministros do Senhor, brilha nas devoções ou priva com o clero. Pessoas que enchem de fel a vida do próximo, acusam de iniqüidades os pequenos, e espremem até o sangue o coração dos seus semelhantes,” Esse tipo de cristãos que Ruy Barbosa brilhantemente retratou é o que, infelizmente, ainda atua no Brasil de forma cínica e descarada. Os jornais diariamente refletem o caráter desse tipo de gente.

domingo, 10 de agosto de 2014

Saudade de estar com êle

Saudade do meu pai, Raimundo Antônio Jinkings.
Ele adorava tratar dos animais do sítio. Era um humanista, amava as pessoas e os animais. Lutou por um mundo mais humano e justo.
Este vídeo foi filmado em mini VHS por mamãe, Isa Jinkings, em 1991, no Sítio dos Netinhos, Benevides, Pará.




por Leila Jinkings

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Miséria Humana

MISÉRIA HUMANA
Por Raimundo Jinkings



Quando passamos pelas ruas de Belém, principal­mente a João Alfredo, deparamos com um grande número de seres humanos que, certamente, já tiveram lar, já trabalharam, já produziram e já contribuíram com a parcela de seus esforços para o progresso de nossa Pátria, do nosso Estado, e para o enriquecimento de alguns privilegiados da sorte e do regime, mas que hoje estão transformados em verdadeiros farrapos humanos, jogados nas calçadas, submetidos ao sol e à chuva, sujeitos a toda sorte de misérias, comendo aquilo que o diabo enjeita, desprezados por tudo e por todos, humilhados pela própria sociedade. Esses mesmos homens que, sem dúvida, sonharam ter na velhice uma vida tranqüila, sem privações, digna dos que traba­lham e que produzem, viram seus esforços e seus ideais vencidos pela ambição insaciável dos ricos e pelo descanso dos governos. Triste realidade!


Quanto é triste e doloroso saber que dentre esses mendigos, que estão jogados ao léu, ostentando suas chagas físicas ao lado das rebrilhantes exposições de jóias, há um jovem que esteve na última guerra, lutou e sacrificou-se pela prometida liberdade e fraternidade dos povos. Esse in­feliz idealista voltou da guerra, doente, inutilizado para o resto da vida, mas cheio de esperanças, na certeza de que havia contribuído para a conquista do mundo com que so­nhara. Ao regressar, não desejava mais do que a Paz para o mundo e o necessário para sua subsistência. Entretanto tudo lhe foi negado. Os homens, que lhe prometeram vida melhor, esqueceram-se do compromisso, e estão agora gozando as delícias das fortunas conseguidas à custa da miséria do Povo durante a guerra, desse mesmo Povo de quem foram exigidos o sangue, o trabalho e o sacrifício, pa­ra defesa da Paz e da Democracia, dessa Paz e dessa Democracia que ainda não conhecemos.

Não poderá haver Democracia e nem poderá haver Paz enquanto assistirmos a cenas dolorosas como essas, e enquanto não acabarmos com os privilégios vergonhosos dessa estranha fauna dos capitalistas. O que precisamos é de justiça, mas a justiça só é perfeita, só é justiça de verdade quando é feita igualmente para todos, sem distinção condições sociais, de raças ou de cor. São do grande Simon Bolívar estas significativas palavras: "Conservai intacta a lei das leis: a igualdade. Sem ela perecem todas as liberdades, todos os direitos". Quão verdadeiras são essas palavras que, lendo-as, acreditamos com toda a sinceridade que um dia haveremos de dar ao nosso Povo aquilo que não nos é possível dar-lhe no regime capitalista: a igualdade econômica e social. No próprio Estados Unidos, o país capitalista mais rico do mundo, existe a fome e a miséria, consoante apuração feita em 1939, dos 30 milhões de famílias norte-americanas 8 milhões morreriam de fome se o governo não as socorresse, e 11 milhões lutariam contra a miséria. Referindo-se a essa estatística, o líder nacional do Partido Socialista, o eminente Dr. João Mangabeira, com precisão: “Tudo isso demonstra que ainda no país mais rico do mundo, o regime capitalista não pode resolver o problema da fome e da miséria".

O problema da pauperização em nosso Estado do governo imediatas providências medidas concretas benefício do Povo, com o objetivo de acabar com essa si­tuação difícil e desmoralizante.
Nem a mais santa das intenções resolve em contrário.

Lembrem-se de Fauchet na convenção da grande Revolu­ção Francesa:
"Considerando que a igualdade não deve ser uma miragem enganadora que todos os cidadãos inferiores, velhos órfãos indigentes, sejam albergados, vestidos e alimenta­dos à custa dos ricos; os sinais da miséria sejam destruí­dos, a mendicidade e a ociosidade sejam proscritas; que se dê trabalho a todos os cidadãos válidos".

Que adiantou? Nada. A questão, evidentemente, não é de sonhar. Ou o governo se mexe, ou o Povo virá a fazê-lo por suas próprias mãos inevitavelmente, de modo violen­to.
Há o caminho da construção socialista, pacífica, e há o caminho que garante sucessos, como os acontecimentos do Rio Grande do Sul estão a indicar. Escolha o governo a solução enquanto ainda lhe resta um pouquinho de tempo.

Folha, 10/08/1952
(Reproduzido no livro Entre as Letras e as Baionetas, de Jocelyn Brasil, pp. 179 a 181).

domingo, 2 de março de 2014

Lembranças dos sábados na Livrariazinha, por Salomão Laredo

A IMPORTÂNCIA DO LIVRO E DA LEITURA
Guerreiras. elas começaram na LIVRARIAZINHA JINKINGS: Ana Letícia e Annelise Miléo, as meninas leitoras de Santarém, estão agora no Teatro em Curitiba

Salomão Larêdo, escritor e jornalista
Ana Letícia e Annelise no colo de Salomão



Na década de 1980, objetivando ajudar na formação do leitor crítico e analítico a Livraria Jinkings abriu um espaço específico e adaptado para as crianças, denominado “Livrariazinha” e lá, convidado, começamos, com os donos da ideia e da livraria: seu Jinkings, dona Isa, Leila, Varico, Toninho e todos os funcionários, aos sábados, os processos de cooperar na formação do leitor crítico. 


As manhãs eram cheias de atrações para a criançada e seus pais, para o importante, salutar e necessário contato com o livro, a leitura. 

Lá, as crianças ouviam histórias, contação de casos e sobretudo de socialização, a conexão do ser humano com a vida nos livros, as ideias e tudo o mais que a cultura e a leitura desencadeiam. Foi uma novidade em Belém e um sucesso enorme. Lá, muita gente surgiu, descobriu se tornou leitor e ledor. 

Lembro que nessa época, aos sábados, nosso programa que sempre foi ir a uma livraria, passamos - meu, de Maria Lygia e do nosso filho Filipe – especificamente a frequentar a Livrariazinha e nesse empenho, alegria e prazer, recordo que numa manhã de sábado, lotado de crianças, estavam lá duas garotas de Santarém, que acompanhadas da mãe Ana Helena e da tia Anacacilda e elas, mocorongas – Annelise e Ana Leticia - desinibidas, cantavam e contavam coisas de seu lugar e então começamos um interação e uma amizade que perdura até hoje. 

As meninas, como mostra a foto, sentaram no meu colo e juntos, cantamos essa linda música do querido maestro Isoca, santareno que é a Lenda do Boto:


LENDA DO BOTO

Letra e Música: Wilson Fonseca (1954)
Quando boto virou gente
Pra dançar num puxirum,
Quando boto virou gente
Pra dançar num puxirum,
Trouxe o “olho”, trouxe a “flecha”,
Trouxe até muiraquitã.
E dançou a noite inteira
Com a bela cunhantã.
Um grande mistério na roça se faz:
Fugiu cunhantã com o belo rapaz!...
... E o boto, ligeiro, nas ondas sumiu,
Deixando a cabocla na beira do rio...
Se alguém lhe pergunta:
“Quem foi teu amô?”
Cabocla responde:
“Foi boto, sinhô!”


Depois as meninas retornaram a Santarém, onde, muitas vezes fui em razão do trabalho de formação do leitor pelo programa “ O Liberal na Escola” e lá, a Anacacilda levava as meninas e ficava sabendo do progresso das queridas amigas e leitoras que ajudam a tia num programa cultural numa emissora e ficava contente sabendo que elas avançavam nos estudos. Depois, perdemos contato e num dos círios, em Belém, Anacacilda fez contato e passamos a nos falar por e-mail e agora elas estavam em Curitiba, para estudar artes cênicas.

(publicado originalmente no blog de Salomão Laredo)

domingo, 14 de abril de 2013

RA Jinkings, Livraria Jinkings




A Livraria Jinkings, fundada por RAJinkings, em 1965, considerada a livraria mais importante do Norte e Nordeste. Em 1994, Raimundo Jinkings foi eleito nacionalmente como Livreiro do Ano. Fecha as portas, em 2010, após 45 anos, reconhecida a sua importância pela intelectualidade paraense. Muitos expõe nos espaços disponíveis a sua gratidão a Raimundo Jinkings.

Deixe seu depoimento aqui, por meio do comentário, ou envie email.  

Aqui você tem acesso ao Blog da Livraria Jinkings, memória da Livraria e da loja virtual desenvolvida pela Dinâmica. Além de pioneira, a jinkings.com.br se destaca pela interatividade com o leitor e, com anos à frente, extrapolando o comercio de livros e oferecendo serviços e informações, joguinhos, sugestões, livros inteiros virtuais para as crianças da Livrariazinha, lendas amazônicas, enfim.

por Cassio Barbosa Sader disse...

    Ivana, Leila,
    Parabéns!
    Emocionante!
    Sigamos pelos novos caminhos, com a mesma força!
    Beijo, Cassio.

    3 de julho de 2010 21:09

Anônimo
Muito lindo e emocionante, Leila.
Um beijo.
Emir
Vladimir Cunha disse...
O filho do rato Alejandro Jodorowsky é o cara. Eu tinha uns nove anos quando meu pai me levou à livraria Jinkings e disse para eu escolher o que quisesse. Fui direto à sessão de quadrinhos. Em plena Ditadura, o velho Jinkings contrabandeava livros de esquerda em meio a caixas de insuspeitos quadrinhos europeus publicados em Portugal. O cara tinha as manhas. Enfiava traduções em espanhol e português de livros do Marx, Engels, Trostky e Mao no meio de álbuns de gente como Moebius, Druillet, Phillipe Caza, Enki Bilal, Quino, Palomo, Plantu e outros grandes nomes das HQs do Velho Mundo. Meu pai comprava os Marx e companhia. Eu ficava com os quadrinhos. Coisa que, aliás, fez eu desenvolver um dialeto meio esquisito com o passar do tempo de tanto ler histórias naquele português estranho. Foi numa dessas idas à livraria do Jinkings que peguei para folhear um álbum de capa amarela: O Incal Negro - Uma Aventura de John Difool. Não fazia idéia do que era um Incal, mas o livro vinha com o nome de Moebius na capa, que eu curtia das séries Tenente Blueberry e A Garagem Hermética. Foi o suficiente para levá-lo para a casa. E junto com Moebius acabei levando também Alejandro Jodorowsky. As coisas nunca mais foram as mesmas. íntegra aqui: http://raimundojinkings.blogspot.com/2007/11/camuflagem.html
25 de junho de 2010 12:33
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Anônimo Lauande disse...
(...) Como amigo do Jinkings e militante comunista, luto com milhares democratas constantemente para garantir o respeito às opiniões contrárias e fortalecimento da democracia, o melhor regime entre todos. Que atitudes de prepotência e práticas ditatoriais fiquem apenas nos livros de história e nunca mais se repitam em nossa terra.  E muitas saudades do meu amigo e camarada Jinkings!!! Aquele abraço, Lauande. http://raimundojinkings.blogspot.com/2007/11/lauande-homenageia-jinkings.html
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Anônimo Isa disse...
Raimundo Antônio da Costa Jinkings nasceu, em 05 de setembro de 1927, no que era na época um pequeno povoado, Curumim distrito do município de Santa Helena, banhado pelo rio Turiaçu, no Maranhão. Teve infância pobre, trabalhou desde menino, aprendeu diversos ofícios enquanto aprendia, com o pai, as primeiras letras. Mal entrava na adolescência quando, na sua avidez de saber, em meio aos pertences de seu pai, descobriu e leu o livro do filósofo alemão Schopenhauer, “As dores do mundo”. Estranho e inexplicável: através de que meios teria ido parar Schopenhauer naquele cantinho do mundo?. Aquela leitura foi o prenúncio de um vida que, toda ela, seria dedicada a lutar exatamente contra as dores do mundo, contra a injustiça, pela liberdade. Sua paixão pela liberdade o conduziu ao Socialismo. Esse texto foi postado por Isa Jinkings no sítio da Livraria Jinkings. (www.jinkings.com.br, temporariamente fora da rede). Um dos primeiros sites de livraria no Brasil, criado no início dos anos 1990.
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Anônimo Odilardo disse...
Caríssimos! Parabenizo-os pela inovação, criatividade, compromisso como o saber/fazer na área fundamental para a expressão da liberdade/dignidade da pessoa humana e seu ambiente: o livro e a manifestação cultural!... Muito belo com o iniciar-se dos pequerruchos! O "velho", permitam-me o tratamento (é solene e deslumbrado) não é lição, mas semente, sim, que ressurge em cada um que, de alguma forma, sente a livraria e faz dela um eterno caminhar, prazeroso e combativo. Sua história representa, sim, "aquele que é indispensável", da cantiga heróica de Brecht. O conheci, altivo, numa das celas contígua na qual eu me encontrava com outros companheiros, principalmente os históricos, do quartel do Batalhão de Selva aqui de Macapá, nos idos negros do Médici. Eu era estudante e me iniciava no radiojornalismo da Diocese, focada na teologia da libertação. Depois conheci a Fortaleza de Macapá e o Forte do Castelo. Ali mesmo, ele transparecia o combatente lúcido e generoso. Fico grato e entusiasmado com a correspondência de vocês, mais uma vez parabéns e aguardo segurar o relacionamento. Breve falarei sobre um projeto biblioteca - BIBLIOL, que estamos montando para socializar o acervo de nossa pequena biblioteca pessoal, a partir de atividades sócio-culturais. Muito grato. Odilardo Lima E-mail recebido em 02/junho/2002.
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Anônimo BOLETIM HSLIBERAL disse...
AOS CAROS EDITORES DO BLOG RAIMUNDO JINKINGS MINHAS CONGRATULAÇÕES PELA ATUALIZAÇÃO GRÁFICA E PELA MATÉRIA SOBRE A LIVRARIA JINKINGS. FRUTO DÂ EXEMPLAR HISTÓRIA DE LUTAS DO SEU PATRONO CUJO FOCO SEMPRE FOI O FUTURO. O NOVO FORMATO PERMITE PARTICIPAÇÃO DOS LEITORES E MERECE MAIOR DIVULAGAÇÃO. SAUDAÇÕES.
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Anônimo Bertelli disse...
From: Bertelli To: Lista_Bertelli Mailing List Sent: Friday, June 25, 2010 8:21 AM Subject: [Lista_Bertelli] - Livraria Jinkings Prezados: uma homenagem cheia de alegria e, ao mesmo tempo, com um grande pesar. Mais uma que fecha.É uma pena. Todavia, cumpriu um importante e belo papel. Camarada Raimundo Jinkings, presente!!! Saudações. Bertelli
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Anônimo Aline de Mello Brandão disse...
(...) Partilhando a liberdade. Belém do Pará, saudosa, Trouxe à tua casa, a Poesia Revestindo a livraria Com uma luz preciosa Que tua alma talentosa Com clareza, construiu. Teus cabelos prateados, glorioso camarada Ornam a foto emoldurada Lembrando os sons soletrados Do coração com teu povo, Com tuas gentes, Raimundo. Não trago nada de novo: Velho carinho bem fundo E um punhado de sins No poema sem festins. Jinkings, Raimundo, livreiro, Acendi o candeeiro A teu nome, companheiro E assino a data: janeiro Início de calendário, Véspera de aniversário De Belém, como convém. Muitos devem muito a ti À tua luta madura À derradeira ternura Forjando da noite escura A certeza que se aclara E que o verbo escancara. Vivos, erguemos a voz Trazendo a garganta aberta E a memória bem desperta Nesta ciranda veloz Nesta ciranda de paz Nesta ciranda que faz Nesta ciranda que traz A liberdade até nós.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Cidadão do Pará Post Mortem a Raimundo Jinkings




 















 O deputado Edmilson Rodrigues  faz homenagem a lutadores sociais. Foi coferido o  título de Cidadão do Pará Post Mortem a Raimundo Jinkings.  O filho Álvaro Jinkings recebeu a homenagem das mãos do deputado Edmilson, autor da honraria, e do deputado Manoel Pioneiro, presidente da Casa