sexta-feira, 21 de setembro de 2007

In Memoriam. Das muitas homenagens de Jocelyn

In Memoriam

Éramos quantos?
Queríamos dar um jeito no mundo.
Éramos do PSB, do Cléo Bernardo.
Queríamos melhores dias
para os que trabalhavam
pela grandeza do Brasil.

Queríamos que o preço do pão...
Queríamos que a passagem dos ônibus...
Queríamos que os exportadores de castanha...
Queríamos a Paz.Queríamos a Petrobrás.
Queríamos a Amazônia para nós.

E não queríamos o
acordo militar Brasil–Estados Unidos.

Forças maiores se atravessaram
em nosso caminho.

O preço do pão,
o preço da passagem de ônibus
continuaram a subir.
As descascadeiras da castanha
continuaram sendo dispensadas.
A Petrobrás periclitou.
A Petrobrás ficou.
Mas não tão segura quanto
sonhávamos

Os quantos da década de 50
já não somos tantos.
Morreu o Cléo,
morreu o Zébezerra,
morreu o Barcessat,
morreu o Acácio,
morreu o Diogo.

Poucos ficaram de pé.
Estão aí dois que sobraram,
tendo mudado de trincheira.
Do Socialismo Democrático,
fugimos para o Socialismo Científico.

Há mais de quarenta anos
que ele e eu
temos caminhado ombro a ombro,
com outros tantos utopistas,
nas lutas democráticas.
Nos fizemos comunistas
cerrando fileira
ao lado de outros companheiros.

Morreu Rui Barata,
morreu o Levy Hall de Moura,
morreu o Serrão de Castro,
morreu Humberto Lopes.

Ficamos os dois
e mais uns tantos
no cotidiano
das baionetas da reação.

Ele, firme, valente,
corajoso, impávido,
sempre ali na linha de frente.
Eu a seu lado, intermitente.
Continuamos comunistas,
fiéis a Karl Marx,
mas traídos
por alguns equivocados.

Somos PC.
Ele, Raimundo Jinkings
– afirmou Vitor Pires Franco –,
é líder das lutas democráticas
no Pará.

Foi perseguido,
humilhado,
vilipendiado,
sem jamais arredar o pé,
um instante sequer,
do caminho por onde
decidiu trilhar seus passos.

A história esquece de muitos homens dignos.
Não costuma reverenciar a todos aqueles
que dedicaram suas vidas à luta
pelo bem comum.

R. A. Jinkings viveu uma vida prenhe de dignidade.

Jocelyn Brasil
(Entre as letras e as baionetas: a trajetória de Raimundo Jinkings)

Um comentário:

Araújo disse...

...Parabéns!!! Saiba que nem tudo está perdido, enquanto houver um revolucionário de pé e atento - como os quais que você citou -, os imperialistas e os seus lacaios dormirão um sono tranqülo. Porque sabem que o SOCIALISMO, PARA O BEM HUMANIDADE, TRIUNFARÁ!!!
Abraços...